Doenças Oculares
Doutor, eu tenho Ceratocone, e agora?
Setembro de 2007

Muitos pacientes assustam-se com o diagnóstico de ceratocone no consultório. Ao contrário do que se pensa, o ceratocone é uma doença controlável, que pode ser bem manuseada em suas diversas fases.
O ceratocone é uma alteração da córnea, a parte mais externa do olho. Normalmente redonda como vidro do relógio, torna-se pontuda gerando borramento visual progressivo. É uma doença de evolução lenta, geralmente bilateral e de causa desconhecida, que se inicia entre 14 e 22 anos de idade, evoluindo até 35 a 40 anos.
Inicialmente o ceratocone pode ser descrito como incipiente, moderado, alto, avançado e extremo, dependendo de sua evolução. O diagnóstico inicial vai ser acompanhado da necessidade de usar óculos. Num segundo momento, onde os óculos já não corrigem suficientemente, passa-se para o uso de lentes de contato rígidas. Quando não é possível a adaptação das lentes, um dispositivo em forma de anel pode ser implantado no meio da córnea procurando regularizar a superfície possibilitando uma visão melhor. Os segmentos de anéis podem ser retirados se necessário, ou seja, o procedimento é reversível. Se o implante de anéis não puder ajudar, o transplante de córnea é a solução geralmente adotada. O transplante de córnea em pacientes com ceratocone é o de maior sucesso na medicina, sendo possível enxergar bem por toda vida.
O ceratocone é uma doença progressiva e pode ser tratada pelo seu médico oftalmolgista. Os exames anuais ou semestrais solicitados pelo seu médico ajudam a descobrir rapidamente a situação e a melhor maneira de corrigir o problema.
E ai? Ainda com medo do Ceratocone ?
Dr. Jorge Paulo Araújo de Oliveira é oftalmologista, especialista em doenças da córnea e transplante no Instituto de Olhos Freitas, e também coordenador médico do Banco Olhos do Estado da Bahia.